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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A mudança continua

Ao decidir escrever hoje, percebi a recorrência do tema. Dei um pesquisada no blog e encontrei nada menos que 4 postagens sobre este assunto! Aqui, aqui, aqui  e aqui.

Chamo a isso, internamente, de "Luciana querendo acordar", ou "Luciana querendo nascer".Isso porque, em vários momentos, me vem essa imagem, essa sensação de que estou nascendo agora. É sério! Uns meses atrás eu me sentia em pleno trabalho de parto, hahaha! Hoje, me vem muito a imagem de uma recém-nascida.

Continuo escolhendo largar antigas decisões. Aparecem, aos montes, nos momentos e assuntos mais diversos. Decisões tomadas com certa consciência, porém com a maturidade de uma menina de uns 8 anos. Acho que 8 anos foi a idade em que formei a base mental da minha personalidade.

Tem sido tão gostoso retomar essas decisões. Perceber que, sim, a vida às vezes é difícil e os relacionamentos são complicados e a gente se magoa, se julga... Perceber o quanto fui dura comigo mesma, considerando-me inadequada, vergonhosa, enfim, errada! Perceber quanto tempo da minha vida gastei (gasto) disfarçando quem sou de alguma outra coisa (outra coisa melhor? há controvérsias!). Perceber, no fim das contas, que todas as defesas que armei naquele tempo não são a melhor forma de lidar com as dificuldades. Isso é o que tem me dado a liberdade de experimentar outras soluções. 

De todas, a maior lição tem sido respeitar a criança que fui. Aquela que ainda vive em mim, por meio de lembranças e de características que, de tão básicas, parecem ser instintivas, inerentes a esta pessoa que escreve. Na minha cabecinha de 8 anos, a única solução possível, tomada com muuuita raiva e vergonha, foi (tentar) trancafiar (sem sucesso) todas as minhas características ruins numa jaula e mantê-las ali, quietas, para que não me atrapalhassem. Elas formavam a minha "fera", que eu temia ser capaz de destruir todos os meus relacionamentos.

Agora, escolho me colocar frente a frente com "a fera". Escuto-a, deixo-a falar, comigo e com os outros. Também escolho admitir, para mim mesma, tantas outras características, sentimentos e impulsos que considerei terríveis demais para aceitar. Não sem um certo constrangimento, claro. Não quero deixar aqui a impressão de que isso é sempre uma delícia. Afinal, admitir sentimentos e atitudes de inveja, egoísmo, destrutividade, não é exatamente como ir a um parque de diversões. Mas, engraçado... o reconhecimento tem trazido um alívio muito mais magnético do que qualquer impulso de correr da raia.  

E quando é demais e não tenho mais colo para dar a mim mesma, quando desaparecem de mim a compreensão e a aceitação de que preciso, rezo. Peço a Jesus, em sua compaixão infinita, que ensine isso ao meu coração. Peço a Padmasambhava, o Bodhisatva da Compaixão, que me inspire. Peço ao meu "protetor", que tantas vezes se comunicou comigo por meio de uma amiga, que sussurre ao meu ouvido palavras de sabedoria. Vou à praia e deixo que o vento, a areia, o mar, me lembrem do que a vida realmente é feita.

A minha longa caminhada está me trazendo exatamente até onde sempre estive. Nada mudou. Apenas estou descobrindo que aquela coisinha esdrúxula e insuportável que eu era, na verdade, não tinha nada de errado. Nenhuma criança nasce errada. Elas apenas não sabem disso. Aí, sim, elas adoecem.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Duplo Reconhecimento

Lúcia demorou um pouco para notar Dona Flora. Havia entrado na loja de roupas de cama com o objetivo certo de comprar aquele jogo de lençóis, somente e nada mais que ele. Blindara seus olhos e ouvidos contra qualquer oferta sedutora, dessas que fazem a cliente comprar o dobro do que planejara e ainda sair achando que economizou.
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Toda a preparação foi logo desarmada. Dona Flora, uma senhora magrinha e baixinha, de cabelos pretos e anelados, pouco abaixo do queixo, aparentava ter tido uma criação sem riqueza material. Não usava óculos. Muito gentil e educada, sim, mas havia algo mais. Admirada, Lúcia percebeu que Dona Flora portava-se com a "distinção natural" de uma alma que conhece o seu valor, assim como o de outrem. Poderia certamente ter sido uma rainha em vida anterior, tamanha a serenidade e dignidade que sua presença trasmitia.
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Encantada e tocada, Lúcia pôs-se a devanear sobre a auspiciosidade daquele encontro, afinal não é sempre que se esbarra com uma rainha em pleno shopping center. E quando já concluíra a compra e preparava-se para se despedir e seguir seu rumo, ouviu de Dona Flora as seguintes palavras:
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"Moça, você é muito simpática, viu? Um amor de pessoa. É tão bom quando a gente atende alguém assim. Claro que atendemos todo mundo bem, mas tem pessoas que dão gosto! Foi um prazer, viu?"
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Lúcia sorriu largo, agradeceu muito e foi embora. Não devolveu o elogio na mesma medida e nem contou sobre o que estivera pensando minutos antes, por receio de parecer forçada... Mas saiu da loja feliz da vida.
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*Baseado em fatos reais.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Andanças


Caminhar tinha um gostinho de vida de verdade que poucos pareciam entender. Havia uma alquimia curadora entre o cheiro do chão no calor escaldante, o ar pesado e úmido e sua respiração, aos poucos pausada e profunda. O cansaço das pernas trazia-lhe a serenidade de quem sabe: estou aqui. Essa presença se confirmava nas papoulas vermelhas do canteiro na rua, nas orquídeas violeta dos condomínios de elite, nos olhares absortos do povo simples que como ela caminhava, anônimo, seguindo seus destinos invisíveis.

Nessas andanças, romanceava sua cidade. Antecipava a diversão de ultrapassar cada obstáculo do caminho, imaginando o que vinha pela frente e fazendo pequenas alterações de rota, em busca das ruas mais bonitas e arborizadas, para passar por dentro de um parque ou escolher uma via menos deserta. As calçadas tornavam-se testemunhas, confidentes silenciosas de seus sentimentos mais guardados. Fizera amizade com elas, há muito. Lembravam-lhe dos dias conflituosos, do medo da rua, das pequenas vitórias e também dos tropeções, como daquela vez em que caíra retinha no chão de cimento, somente amparada pelas mãos. Um homem aproximou-se correndo e limpou suas mãos com as dele, afeto e cuidado simples que se daria a uma criança. Ela riu, por dentro.

Descobrira o prazer de descobrir uma nova cidade dentro da sua - quantas coisas são perdidas quando se anda de carro! Atravessar uma ponte a pé, por exemplo, revela um rio muito mais bonito. Pensava na sorte que tinha de estar experienciando realmente a vida. Pois, para ela, era assim: até o céu a pé tinha outra cor.

Quando perguntada sobre o que pensava dessa vida de andarilha, disse:

"Caminhar é um ser pequena que é ser grande. Ser livre, sem limites. É se misturar com o ar e com o céu, enquanto o corpo leva aonde se quer ir."

sábado, 1 de outubro de 2011

Qual o seu número?

Já fui 34, 36 e de uns 10 anos para cá 38, mas confesso que já houve uns dois 40.

A partir dos 15 anos, virei 35 e só de quando em vez me torno 36.

Lembro de quando era 58, pouco antes da faculdade; hoje não sou menos que 65, já cheguei aos 68.

Também fui impressionantes 48 - um exagero; hoje fico em torno de 52, até 55.

E comecei com 0 e fui aumentando todo ano, +1, +1, +1...

Mas, ultimamente, parece que nenhum número me serve. Fiquei grande para as fôrmas, me apertam os parâmetros, me sufocam as definições. A caixinha ficou pequena e a alma transbordou.

Me esqueçam, medições. Agora eu só quero viver.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Delírios de Amélia

As feministas não vão gostar nada deste post, rsrs...

É que, de vez em quando, passo um tempo a visualizar-me como uma feliz dona-de-casa, mãe-de-família, rainha do lar, enfim, alguém totalmente dedicada ao bem estar doméstico. Nesses devaneios, me imagino alegremente limpando (hã??) a minha casa, cuidando da decoração, preparando mil novas receitinhas saudáveis e deliciosinhas para o meu marido e meus filhos, no meu lindo vestido acinturado e avental branco, rsrs.

De onde será que saiu isso?? Essa não era a fantasia das mulheres lááááá dos anos 30?? Ou será que isso ainda está no pano de fundo das nossas consciências, como um desejo herdado, entranhado e escondido, acessível apenas aos que estão dispostos a remar contra a maré atual??

Não sei, mesmo. Mas já superei aquela fase do feminismo exagerado, que foi necessário, no anos 60, 70, até 80, mas que hoje não tem mais cabimento. Hoje, as mulheres (no Brasil, na minha faixa sócio-econômica) estão em condições de escolherem o que querem ser, como querem agir, se isso estiver de acordo com seus parceiros (ou parceiras). E por que não escolher dedicar-se à família??

Fim das contas, entretando, acho que não nasci para ser "do lar". Por mais que adore meus momentos housewife, sinto uma enorme necessidade de estar no mundo e interagir com as pessoas e situações lá fora. Não costumo durar mais do que uma tarde do lado de dentro de paredes. A horas passadas cuidando da casa me dão uma sensação mista de satisfação e de confinamento e logo preciso sair correndo (literalmente), para arejar a alma.

A solução, para mim, é um malabarismo dos desejos e a administração do tempo para realizá-los. É ouvir, ao mesmo tempo, as duas Amélias em mim - a Earhart e a doméstica, rs. É sempre buscar um tempinho para ser eu mesma por inteiro, abraçando as minhas contradições. Acima de tudo, não me prender a estereótipos, sejam eles de tradição ou de feminismo.

Ufa!! Dá uma suadeira só de pensar, rsrs! E vamo que vamo! ;-)


domingo, 10 de julho de 2011

Cut Loose

Todos os dias, entre os milhares de pensamentos que acontecem em mim, alguns chamam a minha atenção. São vozes (internas?? externas??) que destoam do turbilhão automático e frenético, que parecem tocar mais fundo a minha alma. Vem como frases soltas, frases "chave", frases que, para mim, se tornam um lembrete que, incerta, repito para mim mesma, confiando que deve ser algo importante.

Esta semana veio uma frase, radical, revolucionária e um tanto assustadora. Veio em inglês, como tantas vezes vem. "Cut loose".

"In order to grow, you must cut loose."

"Cut loose from who you were before. Your matrix is no longer good for you."

Mais do que um conceito, essa frase veio como uma sensação, a percepção de que a "matriz" de quem sou, aquele conjunto de referências, verdades e fatos a que recorro quando quero "me achar" dentro de mim mesma, isso já foi ultrapassado. Resta apenas uma espécie de "hábito" de pensar e conduzir a mim mesma da velha maneira. Quem existe hoje vê o mundo de maneira bem diferente do que já foi. A frase veio para me lembrar de que já estou pronta pra abandonar qualquer compromisso com a velha ordem e abraçar, plenamente, o novo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Bendito enjôo

Certa vez, uma grande amiga estava me contando sua experiência de dor profunda, pela morte de um ente querido.

"Eu chorava todos os dias", ela dizia. "Achei que iria morrer de tanta dor. Aquilo me parecia insuportável e sem solução."

Foi então que ela falou, de uma maneira muito interessante, sobre a superação dessa dor:

"Sofri durante quase 2 anos. Até que um dia, enjoei de tanta tristeza. A tristeza é assim; uma hora, você enjoa dela e aí larga. Ela vai embora."

Percebi que estava ouvindo algo muito sábio. Saquei também que isso se aplica a qualquer sentimento desagradável (provavelmente agradável também... hum...).

Talvez seja isso que acontece na vida da gente. Quando queremos tanto mudar algo em nós que não nos agrada, mas não conseguimos... Daí um dia, como que por mágica, pronto: a coisa anda. De repente, temos a força e a clareza para tomar um rumo diferente. Sempre fico me perguntando por que - ó, céus, por quê?!?!? - eu não conseguia tomar a atitude revolucionária antes... Mas a resposta passa um pouco por aí: eu ainda não tinha enjoado de me sentir da maneira antiga. De alguma forma, ainda era bom.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Aquela velha opinião formada

De uns tempos para cá, ando sentindo necessidade de rever e abandonar opiniões que se repetem demais. Parece que ficam velhas e caducam simplesmente pela repetição... Questiono, pricipalmente, a maneira quase automática com que determinados discursos parecem sair da minha boca e das bocas de tantos do convívio.
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Para mim, idéia muito "batida" merece ser trocada por outra.
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Não há verdades absolutas. O que afirmo com veemência hoje, pode ser o absurdo de amanhã - e eu diria que com certeza o será. Sendo assim, tem sido irresistível a tentação de desmentir as minhas verdades, as minhas idéias mais queridas, especialmente aquelas que parecem me "formar" como pessoa. O que acho de bom gosto, o que eu nunca faria, o que considero bom-senso... São idéias que todos cultivamos e que parecem ser "nossas", parecem nos definir... Mas, no fim das contas, se você observar bem, se tiver coragem de encarar a sua própria repreensão e crítica, talvez descubra que o coração diz coisas que contradizem o discurso. E aí, a quem se deve dar ouvidos? Que importância têm essas idéias, realmente?
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Hoje acordei "filosófica", rsrs!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Letting go

Hoje cedo, passeando com Lilica, fiquei pensando na vida. Muitas lembranças de infância, sentimentos conhecidos e histórias antiiiiiiigas...
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E me dei conta de que às vezes parece que ainda vivo essas histórias como se tivessem acontecido ontem. Especialmente as mágoas.
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Será que 20 e tantos anos não é tempo bastante para deixar irem as mágoas?? Rs!
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Em minha "defesa", sou canceriana e gente do nosso signo guarda, mesmo, as coisas. Mas acho que, finalmente, tá chegando a hora de soltar. Talvez não seja algo que dê para fazer da noite para o dia, afinal, so Deus sabe quantas coisas ando carregando comigo ao longo dos anos. Mas... Reconhecer que já passou da hora de soltar é um bom começo. :-)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Fluxo

Um momento para caraminholar...

Um assunto sempre me intrigou: por que é que aqueles que têm muito, muito dinheiro , desde o berço, terminam se dedicando a trabalhos voluntários? Por que vão morar em países pobres, viver em condições subumanas junto com aqueles a quem vão ajudar? E por que é que o índicie de depressão e suicídio é tão mais alto em países ricos, onde as pessoas podem até ficar sem trabalhar, tão bom que é o auxílio-desemprego?

Hoje acho que caiu uma ficha. E tá aberto pra debate, rsrs!

Me ocorreu que as pessoas precisam fazer a energia cirular, de alguma maneira. Que quando esse fluxo não ocorre, acontece o mal-estar, a depressão, a sensação de vazio e de falta de sentido na vida. Sendo assim, que não tem, precisa correr atrás, receber. E quem tem PRECISA doar. É uma questão de saúde do coração.

Claro que isso é uma forma simplificadíssima de ver a coisa. Afinal, me parece mais exata a noção de que todos precisamos dar e receber, o tempo todo, ou não haverá fluxo. Mas talvez seja isso que acontece aos nascidos ricos: eles nunca precisaram correr atrás para receber e ficaram estagnados até que algo mais forte os impele a sair e doar um pouco do que acumularam.

domingo, 26 de setembro de 2010

Dirty Little Secrets

Uma vez, uma terapeuta me disse que era importante compartilhar segredinhos, guardados ao longo dos anos - especialmente aqueles que guardamos desde a infância, talvez de pequenas traquinagens que hoje parecem sem importância, coisa de criança... mas que nunca contamos a ninguém. Ela enfatizou o efeito liberador que o compartilhar desse "segredinhos sujos" podia ter em nossas vidas, que podíamos nos surpreender com as tensões ligadas inconscientemente a eles.

Logo entendi o potencial do exercício e, desde então, sempre que a oportunidade aparece, com a pessoa certa, no momento certo, ponho em prática.

O mais interessante é perceber que, todas as vezes, é o meu próprio julgamento que mais temo. Uma vez superado o meu julgamento, os dos demais não importa tanto. E a cada vez que revelo uma dessas coisas a mais alguém, me sinto resgatando um pedaço de mim - um pedaço antes rechaçado, escondido vergonhosamente, mesmo que essa vergonha não fosse consciente até o dia da "revelação".

É uma sugestão que deixo aos leitores. Encontrem alguém para compartilhar esses "dirty little secrets". Faz um bem danado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Me fez sorrir :-)

Hoje estou eu almoçando no restaurante de sempre, quando algo de nunca acontece: uma senhorinha, de uns 80 anos, senta na minha mesa. "É agradável aqui perto da janela", ela diz, sorrindo. Não pediu minha permissão para sentar, nem ao menos pediu licença. Agiu com uma naturalidade rara - talvez parte das transgressões da velhice, rs - como se fosse comum que estranhos se sentassem juntos à mesa de restaurantes, mesmo quando havia muitas outras mesas livres.
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E tão logo voltava à minha refeição, ainda com o sorriso oferecido à senhora nos lábios, alguém se aproxima da cadeira ao meu lado, para sentar-se. "Esta bolsa é sua?", pergunta, já puxando a cadeira. Era o neto da senhorinha, rs. Como a mesma naturalidade da avó e com uma mansidão surpreendente, o rapaz me dá um sorriso e se senta, também sem pedir licença ou parecer achar estranha a situação.
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E juntos almoçamos, os três. O neto e a avó conversaram um pouco, amenidades, eu pedi licença para ir buscar a minha sobremesa e dei "tchau" na saída. Nessa hora, o rapaz me agradeceu, dando algum indício de que ele também achava a situação, de alguma forma, diferente do habitual.
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Tenho que dizer que gostei, rs!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Constatação de Deus


Deus sempre foi um assunto mal-resolvido dentro de mim. Por mais que eu achasse que devia acreditar em alguma coisa, sempre foi difícil imaginar que realmente havia alguma força onisciente e onipotente influenciando a minha vida.
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Pois não é que outro dia constatei que tem?!
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Foi uma fração de segundos, um pensamento rápido e quase mudo que passou no fundo da minha mente. Enquanto me contorcia de ansiedade, diante de uma tarefa que me parecia impossível de realizar e cujo peso aparente já estava fazendo nódulos no meu pescoço, de repente, constatei: "Não tenho o poder de resolver isso sozinha. Deus terá que se encarregar do resto."

Essa simples constatação gerou uma série de conclusões que eram "desdobramentos" da primeira. De repente, percebi quão inocentemente arrogante é achar que eu tenho poder para resolver qualquer coisa. Mesmo que eu seja o elemento atuante no plano físico, é preciso que haja toda uma confluência de fatores para que as coisas aconteçam de uma ou outra maneira. Certo?

Bom... Depois de tentar algumas vezes, já percebi que todas as tentativas de explicar o que estou sentindo são muito pobres de significado, rsrs. Simplesmente não tenho vocabulário suficiente. Mas o fato é que agora eu sei que posso - e devo - rezar, pedir, entregar, me alinhar com essa "energia", essa "intenção" que é Deus. Essa confluência de fatores que faz com que as coisas aconteçam.

Agora, por conta da minha "formação" espiritual - construída por iniciativa própria e muita vontade - acredito que essa "intenção" é sempre amorosa. Acredito que as coisas fluem de maneira que os melhores resultados sejam alcançados. E é aí que entra a fé. É preciso ter fé no que estou dizendo, para que seja possível conviver com os acontecimentos menos agradáveis, menos desejados...

O desafio do momento é a entrega. É relaxar... Seguir o fluxo dos acontecimentos, sem vãs tentativas de dominar o curso do rio. São essas tentativas frustradas que criam estresse, doenças, sofrimento. Claro, preciso mais do que nunca lembrar disso quando estou nervosa, rs, é fácil falar agora... Mas esse é o desafio, como disse. Até comecei a rezar. Rezando, entro em contato com a parte de mim que nunca esqueceu de sua conexão com Deus.
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"Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiar."

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mais sobre não esquentar...

Prova zen.
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É pelo que estou passando. Sinto que é um momento importante na minha vida e, se eu souber aproveitá-lo, se ficar focada, posso sair dessa com uma pequena porém importante transformação.
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A situação é no trabalho. Sinto-me pressionada a dar conta de um volume de coisas que parece muito maior do que é humanamente possível realizar. Já fiquei estressada, já deixei de dormir, até chorei... Não adiantou. Ninguém me ouviu ou se compadeceu da minha situação.
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Enfim, decidi relaxar. Operação: EU NÃO SOU X-MEN. Decidi fazer apenas o que é possível, sem correr, sem ofegar, parando para lanchar, para respirar, conversar... O processo é urgente? Põe no topo da pilha... mas lembrando que sou apenas uma e não vou arranjar uma úlcera por conta deste emprego.
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O desafio é fazer as coisas com calma, ver o serviço se acumular e não ficar estressada. É ouvir às cobranças e não sentir o sangue ferver. E, mais, é procurar não torcer para dar tudo errado... É... Não vou mentir que me deixa irada não ser ouvida nas dificuldades que tenho apontado e que parte de mim está alegremente planejando comprar um estoque de pipoca para assistir ao circo pegar fogo.
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O desafio maior com certeza é interno. Manter a calma e, se possível, o bom humor - ou ao menos um humor neutro, rs. Afinal, uma parte de mim, mais dominante, quer descobrir que a outra estava errada e que o bicho não é tão feio assim. Será melhor para todos, não é? Acho que esse é o ponto mais zen de todos: manter o otimismo. O duro é que, neste caso, ser otimista também é estar "errada", rs...
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Quem disse que era fácil ser zen?? ;-)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não esquenta...

Vale a pena "esquentar" com as coisas?
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Não, rs...
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Realmente, parando para refletir um pouco, não vale. E é nessa direção que vou caminhando.
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De vez em quando dou umas estressadas "sustentas", meu amor que o diga... Mas procuro aprender com elas e seguir em frente. A intenção é certa: relaxar...
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Todo esse movimento advém da consciência de que preocupar-se não adianta. Simplesmente não faz a menor diferença. Não se trata de um "conhecimento", mas de uma "percepção". Outra das vantagens da DNA (Data de Nascimento Antiga). :-P
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E nessa de não esquentar, tá rolando um monte de coisas. Em especial, momentos de alegria gratuita, sem motivo aparente. Alegria simplesmente porque não há motivo para estar triste. Alegria porque o céu é azul e as árvores são verdes. Alegria de ver uma colchinha de retalhos na vitrine de uma loja - e saber que ela não será minha, mas é tão linda!
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Do mesmo jeito que às vezes me bate uma tristeza sem motivo aparente, também me batem essas alegrias. Uma alegria tão imensa, tão borbulhante, que não sei o que fazer com ela, rs. Não cabe direito em mim, não sei como extravasar... Ainda descubro um jeito, rs, pois acho que minha missão neste mundo passa por isso também: lembrar as pessoas dessa alegria sem motivo. Ela vem, não sei de onde. E vai, também, rsrs, sem explicar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cumpleaños Feliz

Hoje é um dia especial. Estou completando mais um aninho de vida, rs.

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Claro, aniversários sempre são especiais para nós... Mas não sempre tem aquele aniversário, ou aquela idade específica, que marcam a gente?? Seja porque esperamos ansiosamente por sua chegada, seja porque gostaríamos muito de poder adia-la para sempre??


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Pois bem. Este é um daqueles que me fizeram arrepiar, encolher, tentar escapar de fininho, pelo buraquinho do bolso da calça, rsrs...


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Não vou perder nosso tempo relatando todas as crises que envolveram A Crise desta idade específica. Eles - jah bless - não importam mais.


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E, curiosamente, resolvi toooooooooooodas as minhas crises em relação aos meus atuais 31 anos com uma percepção muito simples. Sabem, tanta gente não consegue completar 31 anos... Me dei conta de que cada aniversário é uma vitória.


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Talvez eu pareça ser nova demais para pensar assim... Mas, por algum motivo, isso faz muito sentido para mim. Então, em vez de ficar pensando em todas as coisas que eu já queria ter conquistado e ainda não tenho, percebi que estar viva e bem para poder conquista-las é um presente de Deus.


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Bom, então é isso. Hoje vou para um barzinho com os amigos e amigas, curtir uma comemoração tranquila mas bem satisfeita. :-)


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E parabéns pra eu!! (perdôem a dor nos "ouvidos", mas tinha que ser assim, rsrs!)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Simples


Este é outro mantra: simples.
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Quem me ensinou foi a Samvara. Para não ser injusta, outros me ensinaram antes, mas foi quando a Samvara disse, que realmente ouvi.
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Sabe quando analisamos uma situação e ela começa a ficar mais e mais complicada? E daí insistimos na busca de uma solução, mas isso somente nos leva a perceber mais e mais ramificações e possibilidades de o problema complicar ainda mais?
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Quando isso acontecer, pare imediatamente de pensar. Simples.
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A prática é não transformar seus "problemas" em complexos indecifráveis. Simples. Atenha-se a apenas um detalhe e siga em frente. A complicação é apenas o barulho de sua mente ansiosa, criando mais ansiedade. Não tem nenhuma validade ou utilidade.
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Esse é o conselho mais difícil de seguir, para mim, rs. Sou uma complicadora nata, rs. Ok, talvez eu não tenha nascido assim, mas o fato é que complico desde que me entendo por gente. É um aprendizado e tanto.

domingo, 7 de março de 2010

O que realmente importa


Iluminação.
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Gangaji - uma mestra iluminada do ocidente - diz que essa palavra é capaz de colocar uma multidão em transe em meio segundo, rs. E ela não está errada. Para os que descobriram sobre as "vantagens" e "promessas" desse (suposto) estado de consciência, a recompensa é grande demais para que seja possível esquivar-se do desejo imenso de "chegar lá".
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A piada é que não se "chega lá" quando o assunto é iluminação, rsrs. Todo o lance da iluminação é perceber que não há onde chegar, simplesmente porque não há alguém para ir... Mas, vixe, pula essa parte, rsrs.
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Adoro assistir palestras de iluminados. Adoro o jeito como falam, o relaxamento e a clareza que me passam, adoro sentir que estou entendendo tuuuuudo - e, portanto, mais pertinho de "chegar lá", rsrs. Há cerca de um ano conheci pessoalmente um iluminado, o guia da Mística Andina, Gerardo Bastos, que, na Mística, é chamado Lucidor Flores.
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O que mais me toca em Lucidor é a simplicidade da proposta dele. Ele nos convida a sentir, a procurar em nosso coração o nosso guia, a nossa bússola. Ele diz: "Trate a si mesmo com brandura... Os relacionamentos humanos são cálidos por natureza. Não se torne duro como uma rocha. Seja como uma gotinha d'água, pequenina, frágil, vulnerável... Essa gotinha contém um oásis mágico, divino, dentro do seu coração."
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Na palestra da sexta-feira passada, Lucidor disse algo assim: "Entramos na vida por uma porta e, em algum momento, que não controlamos, saímos por outra. Não sabemos quando ou por quê entramos e também não podemos prever quando sairemos. Mas, aha..! Há uma terceira porta... E essa, abre-a tu. Ela se encontra na região do seu cardíaco. Você pode escolher abrí-la... e perceber que maravilhosa é esta oportunidade que estás tendo de viver. Aprendes a desfrutar a vida."
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Lucidor adora comparar grandes e ricos empresários a seus respectivos gatinhos e cachorrinhos. Ele diz coisas como: "Quem desfruta mais a vida? Já parou para pensar que o seu gatinho passa melhor que você? Ele não está preocupado com o fato de que ele não tem a casinha top de linha, nem que a coleira do gatinho do outro lado da rua tem a carinha do Mickey... Ele apenas desfruta a vida. Come quando tem fome, dorme quando tem sono. Quando foi que a humanidade começou a achar que precisava TER coisas? Mais e mais e mais e mais e mais... O celular do mês passado é obsoleto no mês que vem. Você já tem 30 vestidos, mas ainda assim compra todos os modelinhos novos que aparecem. E assim você vai, sempre preocupado em ter mais, em comprar mais, e a vida se torna isso: comprar e vender." Não foram exatamente essas as palavras dele, mas acho que deu pra passar a idéia.
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Acho que estou num momento em que dei uma parada e estou pensando: peraí... tem que haver algo além disso... além do desejo de ter tantas coisas (casa, marido, filhos, mais dinheiro, iluminação (aaahh...!)). Ouvindo Lucidor, acho que a resposta está nesse tal oásis do peito... É o que dá sentido e, ao mesmo tempo, redefine toda a busca. Afinal, o que realmente importa para você?
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Eita, que a crise existencial tá braba.
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Adoro encontrar o Lucidor. É inspirador. :-)

segunda-feira, 1 de março de 2010

A Casa


Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela, não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi

Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Rua dos Bobos
Número zero

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Problemas reais

A Helena chegou e chegou bem. Para todos que vínhamos acompanhando a história, é um alívio imenso, com gosto de milagre. Mais ainda porque a Lu está bem. Parabéns, Lu, Helena e Woltony! Vocês merecem este momento!!

A Lu descobriu um câncer pulmonar aos 4 meses de gravidez. A despeito das recomendações de alguns médicos, ela decidiu ir em frente com a gravidez e fazer os tratamentos ao mesmo tempo. De lá para cá, o câncer não apresentou melhoras, ocorreram metástases no cérebro, nas adrenais e no pulmão que antes estava "limpo". A Lu teve que ir várias vezes a São Paulo, para fazer radioterapia e por fim ficou lá de vez, pelo menos até a Helena nascer. De acordo com a postagem de ontem, o médico constatou que o crescimento de Helena tinha diminuído um pouco e decidiu que era hora de ela nascer.

O riscos dessa cirurgia eram muitos - a Lu e o Woltony nos mantiveram atualizados de todos os detalhes da evolução das condições de saúde dela e dos acontecimentos diários - então estávamos todos bem apreensivos. Mas deu tudo certo!

O caso da Lu, por ser alguém que conheço, tem me ajudado muito a dar uma medida dos meus "problemas". Afinal de contas, eu não tenho problemas reais. Problemas reais são como o da Lu, como o das pessoas que estão agora no Haiti. E, ainda assim, é a maneira como as pessoas encaram os seus problemas que faz a diferença.

Recomendo demais a leitura do blog da Lu. É uma lição de vida. Nem a conheço tão bem, mas quando fiquei sabendo que aquela pessoa tão meiga que conheci estava vivendo essa situação horrível... Foi um choque. Chorei muito quando li o blog pela primeira vez - não queria de jeito nenhum que a Lu estivesse passando por tudo aquilo e achei que não ia aguentar acompanhar. Mas daí, no dia seguinte, dei mais uma chance e comecei a ver a imensa força que a Lu e o Woltony têm. É bonito, mesmo.

Tanto que - e olha que coisa, rs - passei a acessar o blog deles quando eu estava precisando de inspiração. A força e o amor deles passam fácil nas palavras do blog e deixam a gente com uma sensação boa.