quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mala ao avesso

Hoje resolvi cometer mais um ato de fé e arrumei uma mala.

Essa mala foi bem diferente das outras que já fiz. Enquanto sempre tento imaginar o que vou usar, dessa vez só embalei o que imagino que não vou usar, rs. Em vez de calcular a quantidade de roupas para levar, estimei a quantidade que precisa ficar.

E o prazer de ver o armário ficando vazio, vazio é indescritível... :-)

Movimento Pequenos Prazeres


1. Afagar um cachorrinho.
2. Dar uma volta na rua, a pé, tarde da noite.
3. Fazer uma refeição só com café, pão francês e manteiga.

Gostou da idéia?

Então, publique os seus 3 pequenos prazeres e convide os amigos a fazerem o mesmo!

Mas antes dá uma passadinha lá no Reflexos e assiste ao vídeo editado pela Raquel, criadora desse movimento. É ótimo para a inspiração, rs!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Estranha apatia

Ontem à noite fiquei, mais uma vez, boquiaberta com um quadro que se repete por vezes demais aqui, nesta cidade onde vivo há 6 anos e 8 meses. Nesse quadro, uma pessoa assiste, com aparente indiferença, enquanto outra passa por um "aperto" de tamanho pequeno a moderado. Nos casos, o espectador do "aperto" poderia, sem grandes esforços e nenhum prejuízo para si, livrar ou aliviar o colega ser humano de alguma chateação, mas, por algum motivo que me foge completamente à compreensão, o movimento não acontece. É como se a situação do outro simplesmente não acendesse, em quem apenas assiste, nenhuma fagulha de desejo de ser útil. É como uma apatia social.

Na terra de onde vim, a situação é bem diferente. Lá, a simples visão de um garrafão d'água dentro do meu carro, por exemplo, é suficiente para que o porteiro saia (às vezes correndo) de onde estiver e venha me oferecer auxílio. Também não é preciso pedir ajuda a ninguém com algum excesso de compras, os próprios vizinhos são os primeiros a agir. Parece haver, nessa cultura, um prazer embutido na realização da pequena boa ação que, por si só, é suficiente para impulsionar quem a pratica.

Suponho que precisaria de mais tempo vivendo aqui, nesta cidade, para realmente compreender o que é que (des)motiva as pessoas a agirem dessa forma. É como se um instinto social natural tivesse sido contido há tanto tempo e por tantas pessoas, que tornou-se regra não interferir na vida do outro, mesmo que seja para ajudar.

Pois ontem à noite estava em casa, quando ouvi a buzina insistente de um carro. Vários minutos depois, a buzinação continuava e finalmente fui à janela, entender o que estava acontecendo. Vi uma mulher, com sua filha de uns 7 anos, muito irritada e já ligando para a polícia. O motivo é que ela não estava conseguindo manobrar o carro para fora da vaga, por acreditar estar "trancada" pelo veículo que estava parado atrás, a uma certa distância. Fazia ao menos 15 minutos que ela estava ali buzinando.

Da janela de casa, logo percebi que a manobra era possível, se ela recebesse alguma ajuda. Prontamente desci as escadas e me ofereci para orientá-la. Mesmo atordoada e nervosa e "certa" de que não era possível, ela concordou em tentar mais uma vez e, em menos de 5 minutos, conseguimos. Ela me agradeceu muito, foi embora e eu voltei para o meu apartamento perplexa, pois o porteiro, que a tudo assitira, não tinha esboçado qualquer reação. Se ele tivesse ajudado no começo de tudo, a moça muito teria lucrado e ele, o que teria perdido??

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Cabala da Inveja


"Se você tem uma mulher bonita, você é um mau amigo..." (Ditado iídiche)

Estou terminando de ler um livro muito interessante, do rabino Nilton Bonder, a Cabala da Inveja. Li-o por indicação de uma grande amiga e terapeuta, pois queria saber mais sobre esse sentimento tão humano, mas tão escondido, negado, escurraçado. Engraçado como ninguém fala de inveja sem fazer uma careta, rs.

O livro, para mim, é refrescante. Discorre sobre o assunto sem meios-termos e, melhor, sem julgamentos. A inveja é vista como o que é: mais um dos milhares de sentimentos que ocorrem a TODO ser humano, sem distinção de classe ou raça, sem poupar os "bons" ou os "maus". Ri um bocado ao me identificar com várias das situações do livro. Os judeus tem uma forma divertida de tratar esse assunto, suas parábolas sobre sentimentos invejosos são hilárias.


"Uma pessoa deve sempre levar em conta os sentimentos de seus vizinhos... Portanto, se eu tivesse ido a uma feira, por exemplo, e lá viesse a obter bons resultados, conseguindo vender tudo com um bom lucro, e retornasse com meus bolsos cheios de dinheiro e meu coração palpitando de alegria, não deixaria de dizer aos meus vizinhos que tinha perdido até o último dos meus copeques - que era um homem arruinado. Assim, eu ficaria feliz e meus vizinhos ficariam felizes. Porém, se, ao contrário, tivesse perdido tudo na feira e trouxesse comigo um coração angustiado, teria o cuidado de dizer aos meus vizinhos que nunca, desde que D'us criou as feiras, houve uma tão maravilhosa como aquela. Vocês me entendem? Sim, pois assim eu me sentiria muito infeliz e meus vizinho também, junto comigo..." (Sholem Aleichem)

O que mais apreciei nesta leitura foram as dicas sobre como evitar que uma situação de ódio cresça. Sim, ódio, pois para Nilton Bonder, a inveja está na esfera do ódio. A palavra é forte, mas Bonder classifica como geradores de ódio toda raiva, ressentimento e mágoa. Ele explica a diferença entre ódio "simples", revanche e rixa e deixa claro: a vítima do ódio tem um papel mais crucial no tamanho final da disputa do que o que primeiro atacou. É uma percepção valiosa, pois ao sentir-me lesada por alguém, sempre me achei no direito de rebater com igual ou maior força, sem entender porque é que isso aumentava o meu próprio mal-estar, em vez de aliviar...

No fim das contas, fiquei com a impressão de que, como todos os sentimentos, a inveja é inevitável, assim como a geração de ódio em torno de nós. Afinal, nem sempre podemos evitar que nossas atitudes ou sentimentos incomodem os nos que nos cercam, assim como não podemos (nem devemos) negar quando aquela pontinha de inveja/raiva simplesmente surge dentro de nós. Estamos o tempo todo pisando nos calos uns dos outros, mesmo sem saber, e também sendo pisados. Mas podemos agir com mais consciência ao lidar com as situações que ocorrerem. Para isso, é importante saber reconhecer os sentimentos em nós mesmos, sem medo ou vergonha, para que assim possamos ajudar o mundo e ao próximo. Como diz o Bescht (século XVIII - A Cabala da Inveja, página 137):

"Quando alguém enxerga faltas em outra pessoa e passa a não gostar dela em função destas fraquezas, certamente possui algo destas mesmas faltas em si próprio. Portanto, repreenda primeiro a si próprio por enxergar faltas e, só então, estando você mesmo num estado de relativa impureza, repreenda o outro. Desta maneira, você não odiará o outro, mas terá carinho por ele. Quando você o repreender, isto se dará a partir de uma atmosfera de carinho. Assim, esta pessoa tornar-se-á afeiçoada a você, vinculando o que há de bom nela com o que há de bom em você."

Sendo uma leitura muito detalhada e rica de conceitos novos, ao menos para mim, sei que precisarei reler para melhor aproveitar o livro. Mas recomendo demais a quem se interessar por conhecer sobre a sombra humana.


*Todas as citações deste post foram extraídas do livro A Cabala da Inveja.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Você cresceu? Mas de verdade??


Quem disse que crescer era fácil?

Isso, realmente, ninguém nunca me disse. E é fato que me preveniram de que o "amadurecimento" era uma tarefa para a vida inteira, até já ouvi muito falar da tal "criança interior... Mas puuuuuutz! Acho que ninguém poderia me preparar para isso!

Ninguém poderia me preparar para perceber que, em determinados assuntos, não amadureci nem um dia desde que tinha uns 7 ou 8 anos de idade. Às vezes posso perceber que estou aferrada a conclusões tomadas quando tinha essa ou aquela idade, mas comumente sinto-me incapaz de mudar. Ou então percebo que um determinado sentimento - agora o foco é nos sentimentos negativos, tá? - me acompanha desde que me lembro de mim!

Tá, sorte minha que, depois de todo o zen que venho praticando, já sei que "não sou isto", o que ajuda um bocado a estourar "bolhas" problemáticas... Mas puuuuuuutz!! Onde é que eu estive esse tempo todo, que deixei juntar tanto pó?!

No fim das contas, questionamentos à parte, resta-me a jornada de resgate de mim mesma. Um minucioso repaginamento da minha vida, revisão de opiniões, atitudes, às vezes um confrontamento de mim mesma, entre as antigas e as novas visões do mundo. Às vezes o encontro com uma criança birrenta, que faz bico e fica amuada, ainda não disposta a soltar alguma decisão que lhe parece muito importante. Outras vezes, apenas uma tristeza oceânica, uma sensação de entorpecimento sem fim, um desencantamento com a vida que me faz duvidar da minha capacidade de experienciar este mundo. Querer jogar a toalha e dizer a Deus que não consegui. Mas, do mesmo jeito que vem, os sentimentos se vão...

Passar dos 5 aos 32 anos é algo que acontece com uma pessoa, independentemente de sua vontade. Queira ou não, se estiver viva, o corpo irá crescer e desenvolver-se, amadurecer e começará até a envelhecer. Mas sair dos 5 para os 32 emocionalmente... Esse tipo de crescimento é uma escolha. E um desafio.

Mudança de título

O blog voltou ao título original, simplesmente porque me pareceu mais certo assim... :-)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Voltando...

Acho que somente ontem voltei, realmente, do retiro... Lendo o meu último post, antes do Kyol Che, percebo continuidade entre o antes e o agora. Só que eu não fazia a menor idéia do que vinha pela frente...

Como disse a Raquel, não há um retiro igual ao outro. Depois das surpresas - gratas e ingratas, rs - do primeiro retiro, podemos ter a inocência de acreditar que as impressões se repetirão, de forma confortavelmente previsível, nos segundo, terceiro, quarto... Que belo engano!

Para mim, o Kyol Che deste ano foi, sim, um corte com o passado. O que se "quebrou" dentro de mim não tem volta, pois negar a consciência de um fato é algo que só as crianças conseguem fazer... Falta-lhes a noção de que é impossível fazê-lo, por isso conseguem. Como uma criança assustada, ainda sofro com a ausência da proteção imaginária que criei em torno de mim e que cultivei durante tantos anos. Ter consciência dói. Mas também cura...

Hoje, quase uma semana após o fim do Kyol Che, posso dizer com segurança que o tal "corte" foi uma bênção em minha vida. Ainda estou me ajustando à nova forma de ver e de sentir o mundo, mas sei que tudo o que está acontecendo é uma resposta aos anseios mais profundos da minha alma. Ver, saber, sentir a verdade de quem eu sou.

domingo, 10 de julho de 2011

Cut Loose

Todos os dias, entre os milhares de pensamentos que acontecem em mim, alguns chamam a minha atenção. São vozes (internas?? externas??) que destoam do turbilhão automático e frenético, que parecem tocar mais fundo a minha alma. Vem como frases soltas, frases "chave", frases que, para mim, se tornam um lembrete que, incerta, repito para mim mesma, confiando que deve ser algo importante.

Esta semana veio uma frase, radical, revolucionária e um tanto assustadora. Veio em inglês, como tantas vezes vem. "Cut loose".

"In order to grow, you must cut loose."

"Cut loose from who you were before. Your matrix is no longer good for you."

Mais do que um conceito, essa frase veio como uma sensação, a percepção de que a "matriz" de quem sou, aquele conjunto de referências, verdades e fatos a que recorro quando quero "me achar" dentro de mim mesma, isso já foi ultrapassado. Resta apenas uma espécie de "hábito" de pensar e conduzir a mim mesma da velha maneira. Quem existe hoje vê o mundo de maneira bem diferente do que já foi. A frase veio para me lembrar de que já estou pronta pra abandonar qualquer compromisso com a velha ordem e abraçar, plenamente, o novo.

domingo, 3 de julho de 2011

Abominável

Hoje fiquei sabendo que uma amiga passou por uma experiência abominável, que nenhuma mulher deseja para si, nem mesmo para sua pior inimiga... Saber que esse tipo de coisa acontece é terrível, mas quando é com alguém que conhecemos... Temos uma medida mais exata do choque, do sofrimento, da revolta.

Sinto muito, muito mesmo em saber que uma pessoa tão carinhosa como ela tenha sofrido algo assim. Não somos íntimas, na verdade pouco sei sobre sua vida. Mas nutro por ela o carinho que se nutre por uma pessoa gentil, que sempre nos recebe com um sorriso, que sempre procura nos oferecer o melhor de si.

Agora só resta enviar a ela o meu amor e agradecer a Deus por ela estar viva. O que quer que ela tenha a aprender com essa experiência, é uma lição muito dura... Ela precisará estar cercada de amigos, para apoiar-lhe nesse processo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Parabéns pra mim!




É hoje o meu dia especial!

Aniversários, logo antes, durante e após os 30, disparam sentimentos bem contraditórios, rs..

Tudo depende do que você já alcançou, do quanto se sente realizado, do que esperava para si a essa altura da vida... .

Engraçado que mesmo quem se diz sem expectativas descobre várias delas quando os 30 se avizinham. A crise é quase inevitável.
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Há quem culpe os astros. "É o Retorno de Saturdo", dizem.
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Seja de quem fora culpa, o fato é que não conheço nenhuma mulher que tenha escapado da cruel auto-avaliação desse período. Os homens, aparentemente, passam por essa fase em torno dos 35 anos.
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Bom, ao menos a Existência nos dá, em troca pela juventude, a bênção de uma sabedoria que só é conseguida com o passar dos anos. Meu consolo é que não trocaria quem sou hoje por quem era alguns anos atrás. Também não queria ser criança novamente!! Hoje me sinto muito mais equilibrada, em comparação com o que era, relativamente pouco tempo atrás - e olha que só tenho 32 anos. Imagina o que me aguarda nos anos por vir??
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Sendo assim, parabéns pra mim, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!! :-D

terça-feira, 21 de junho de 2011

Bendito enjôo

Certa vez, uma grande amiga estava me contando sua experiência de dor profunda, pela morte de um ente querido.

"Eu chorava todos os dias", ela dizia. "Achei que iria morrer de tanta dor. Aquilo me parecia insuportável e sem solução."

Foi então que ela falou, de uma maneira muito interessante, sobre a superação dessa dor:

"Sofri durante quase 2 anos. Até que um dia, enjoei de tanta tristeza. A tristeza é assim; uma hora, você enjoa dela e aí larga. Ela vai embora."

Percebi que estava ouvindo algo muito sábio. Saquei também que isso se aplica a qualquer sentimento desagradável (provavelmente agradável também... hum...).

Talvez seja isso que acontece na vida da gente. Quando queremos tanto mudar algo em nós que não nos agrada, mas não conseguimos... Daí um dia, como que por mágica, pronto: a coisa anda. De repente, temos a força e a clareza para tomar um rumo diferente. Sempre fico me perguntando por que - ó, céus, por quê?!?!? - eu não conseguia tomar a atitude revolucionária antes... Mas a resposta passa um pouco por aí: eu ainda não tinha enjoado de me sentir da maneira antiga. De alguma forma, ainda era bom.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

an.si.e.da.de

1 Aflição, angústia, ânsia. 2 Psicol Atitude emotiva concernente ao futuro e que se caracteriza por alternativas de medo e esperança; medo vago adquirido especialmente por generalização de estímulos. 3 Desejo ardente ou veemente. 4 Impaciência, insofrimento, sofreguidão.

(Michaelis)

Embora não possa precisar um motivo específico, sei que o que estou sentindo agora é ansiedade. Coração ligeiramente acelerado, constantemente, respiração curta, suspiros... e a leve suspeita de que há algo a ser feito. Mas o quê?? A resposta, que precisa vir de dentro, não existe.

A ansiedade às vezes tem essa cara: cara de nada. Sentada na frente do computador, dia lindo, manhã gostosa, pouco trabalho a fazer... e ansiosa, rs. Nenhum pensamento específico me perturbando, nenhuma idéia fixa, nenhum dos fatores que normalmente me jogam no redemoinho de angústia. Se posso enumerar algumas causas para a ansiedade? Sim, posso. E, possivelmente, elas SÃO as causas, rsrs! Mas, desta vez, a manifestação está mais física do que mental.


Ô vontade de pegar a bike, a cachorra e ir para o mundo!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que É

O ritmo do sol é só dele
A chuva cai onde estiver
O dia segue à noite
Os ciclos se repetem
Ou mudam...
.
Querer? É poder??
Querer é penar
É brigar com Deus
E com o tempo
E com o que É
.
Aceita
Chora
Xinga
E vive